05 de maio de 2009.
Em uma visita á Campo Novo paramos em uma lojinha de roupas.
De fato confirmei o que o @kakoholden, do twitter me disse: as coisas por aqui são muito caras.
Mas me serviu de alguma coisa a visita à lojinha. Conheci uma moça que, entre um semestre e outro da faculdade em BH, trabalhava na loja e me deu dicas de passeio.
Me disse ela que a 16 km de Campo Novo do Parecis há um balneário, onde passa um rio e tem uma cachoeira, decerto pequena. No balneário os veículos não pagam pra entrar mas os visitantes pagam cada um R$ 3,00.
Pena que amanhã, ao meio-dia, estou num ônibus em direção á São Gabriel d'Oeste, pra visitar o irmão da minha mãe.
Não que isso seja mal, lá pelo menos tem sinal no celular \o/ , mas fiquei tentada a descer os 16 km e ver qual era da cachoeira.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Conversas
Meu tio, seu cunhado e eu discutimos a última briga entre o Ministro Barbosa e o Min. Gilmar Mendes, já que o último é cria de Diamantino-MT, de onde teriam saído os jagunços de que o Min. Barbosa falou em rede nacional.
Disso fomos parar em uma reclamação trabalhista que meu tio responde em que ele alega ter pago todas as dívidas rescisórias, versão essa combatida pelo Autor.
Perdeu meu tio em primeira instância, o que ensejou penhora de um trator velho. O trator foi á hasta pública e não foi penhorado por falta de comprador.
Acho que eu nunca vi disso no Rio de Janeiro, de não executar a sentença por falta de quem adquira o bem penhorado. Ainda mais penhorar um trator velho.
Vendo fotos da ExpoDireto*, em Não-Me-Toque-RS, onde mora toda a família da minha mãe e minha base de operações quando vou pro Rio Grande do Sul, todos comentam como a cidade está crescendo e tem fama internacional.
-É verdade, eu digo, mas também com um nome desses...
Alguns riem, mas penso que forçosamente.
Um dos convivas acha o comentário descabido, eu acho.
-Vocês falam, mas é a capital da agricultura de precisão.**
Fiquei na dúvida, mas fica pra depois essa pergunta, pensei.
Me lembro de ter pego alguns folhetos sobre a cidade na prefeitura no ano passado e acho que falava algo disso. Li a respeito, mas não entendi muito bem. Eu não entendo muito de agricultura, da minha família a única que mexeu com isso foi minha mãe e durante pouco tempo, pois dos dez filhos ela é a caçula.
O que eu também não entendo também é porque o Rio Grande do Sul é um estado tão desenvolvido e o Mato Grosso carece de tanta coisa, se o celeiro nacional é o Mato Grosso.
*A ExpoDireto é uma feira de pecuária ,agronomia e agricultura que ocorre todos os anos em muitas cidades gaúchas e que é sempre evento na cidade, gerando muitos empregos e circulação de renda.
**Agricultura de precisão é aquela em que, utilizando-se de maquinário específico, munido de GPS capaz de identificar os taliões de solo que necessitam de mais ou menos adubação, dependendo da análise de amostragem do solo, é possível produzir mais com menos investimento, aumentando assim a margem de lucro sem aumentar a área de produção. Tendo em vista que no Rio Grande do Sul a ausência de terra para cultivo é grande hodiernamente, sendo um palminho de terra disputado à tapa, essa é uma técnica muito utilizada por lá, técnica essa que se espalha também aqui pelo Mato Grosso.
Disso fomos parar em uma reclamação trabalhista que meu tio responde em que ele alega ter pago todas as dívidas rescisórias, versão essa combatida pelo Autor.
Perdeu meu tio em primeira instância, o que ensejou penhora de um trator velho. O trator foi á hasta pública e não foi penhorado por falta de comprador.
Acho que eu nunca vi disso no Rio de Janeiro, de não executar a sentença por falta de quem adquira o bem penhorado. Ainda mais penhorar um trator velho.
Vendo fotos da ExpoDireto*, em Não-Me-Toque-RS, onde mora toda a família da minha mãe e minha base de operações quando vou pro Rio Grande do Sul, todos comentam como a cidade está crescendo e tem fama internacional.
-É verdade, eu digo, mas também com um nome desses...
Alguns riem, mas penso que forçosamente.
Um dos convivas acha o comentário descabido, eu acho.
-Vocês falam, mas é a capital da agricultura de precisão.**
Fiquei na dúvida, mas fica pra depois essa pergunta, pensei.
Me lembro de ter pego alguns folhetos sobre a cidade na prefeitura no ano passado e acho que falava algo disso. Li a respeito, mas não entendi muito bem. Eu não entendo muito de agricultura, da minha família a única que mexeu com isso foi minha mãe e durante pouco tempo, pois dos dez filhos ela é a caçula.
O que eu também não entendo também é porque o Rio Grande do Sul é um estado tão desenvolvido e o Mato Grosso carece de tanta coisa, se o celeiro nacional é o Mato Grosso.
*A ExpoDireto é uma feira de pecuária ,agronomia e agricultura que ocorre todos os anos em muitas cidades gaúchas e que é sempre evento na cidade, gerando muitos empregos e circulação de renda.
**Agricultura de precisão é aquela em que, utilizando-se de maquinário específico, munido de GPS capaz de identificar os taliões de solo que necessitam de mais ou menos adubação, dependendo da análise de amostragem do solo, é possível produzir mais com menos investimento, aumentando assim a margem de lucro sem aumentar a área de produção. Tendo em vista que no Rio Grande do Sul a ausência de terra para cultivo é grande hodiernamente, sendo um palminho de terra disputado à tapa, essa é uma técnica muito utilizada por lá, técnica essa que se espalha também aqui pelo Mato Grosso.
Pão de queijo
Na volta, olhamos o pomar da minha tia e voltamos carregadas de mamões, mandioca, graviola, acerola, figos.Minha tia planta de tudo e leva isso muito a sério. Usa até agrotóxico,um do tipo muito caro e que faz meu tio reclamar do preço.
Sentamos pra comer pão de queijo, herança que minha tia trouxe de Minas Gerais – moraram lá por 15 anos – mas que sua irmã alega que é receita da minha vó. Confirmo com a minha mãe.Tudo que é da minha vó muito me interessa. Achei sempre ela uma mulher muito guerreira em criar dez filhos em tempos difíceis, especialmente para as mulheres, em um estado machista como o nosso, que discriminava até as mulheres inteligentes como minha vó.
Ela cuidava da casa, ordenhava as vacas da fazenda e ainda lavava roupa pra fora, o que lhe permitia comprar seus próprios cigarros e seu batom.
Naquela época, uma mulher de família que se pintava e fumava era bastante incomum na roça, segundo minha mãe.Até do fato dela ter sido desbocada me orgulho. rsrs
Sentamos pra comer pão de queijo, herança que minha tia trouxe de Minas Gerais – moraram lá por 15 anos – mas que sua irmã alega que é receita da minha vó. Confirmo com a minha mãe.Tudo que é da minha vó muito me interessa. Achei sempre ela uma mulher muito guerreira em criar dez filhos em tempos difíceis, especialmente para as mulheres, em um estado machista como o nosso, que discriminava até as mulheres inteligentes como minha vó.
Ela cuidava da casa, ordenhava as vacas da fazenda e ainda lavava roupa pra fora, o que lhe permitia comprar seus próprios cigarros e seu batom.
Naquela época, uma mulher de família que se pintava e fumava era bastante incomum na roça, segundo minha mãe.Até do fato dela ter sido desbocada me orgulho. rsrs
Campo de Girassóis

Fomos dar uma volta de carro pela fazenda.
Tio Cláudio planta apenas soja e agora estamos na entre-safra e os campos estão com a sua cobertura natural.
Quando olhamos pro lado, minha tia explica que os vizinhos ali plantam milheto, milho pra pipoca e girassol. Que o milho de pipoca vai todo pra exportação , inclusive pros EUA e que Campo Novo do Parecis tem a maior produção de girassol do país. Os campos de girassol são belíssimos, especialmente ao meio-dia, quando as flores, buscando a luz, viram a cabecinha pro alto.
Dentro da caminhoneta mesmo nos servimos de um chimarrão. Embora cada uma more num canto, todas as irmãs de minha tia, descendentes de alemães, são gaúchas “matistas”, como elas dizem.
Servem o chimarrão curto, com pouca água, pra não virar. Rose,irmã de minha tia, solta uma máxima gaúcha :” não é pra viúva, mas o mate é mal-servido, pra não virar”.
Pedi a minha mãe porque o mate de viúva é mal-servido.
-Porque delas falta um pedaço.
Achei isso romântico.
Depois falam que os gaúchos são frios. Sempre achei as músicas gaúchas tão românticas...
A que eu acho mais bonita é a “Nós”, do Oswaldir e Carlos Magrão. Mas é porque conheço poucas. Tenho algumas na memória, das quais parcamente me lembro da melodia e provavelmente nunca saberei de quem são ou quem as canta.
São Gabriel?
Ainda estamos pensando se vamos a São Gabriel do Oeste visitar meu tio.
São Gabriel fica longe, mas meus tios dizem que é pouco.Para os matogrossensses em geral, se algo fica a 100 km, é “logo ali”.O estado é muito grande e pouco povoado, as noções de distância são totalmente distorcidas.
De boa, já to com saudades do meu irmão e da minha casa, mas acho que só me sinto assim porque ainda não vi o dia raiar nessa fazenda linda.
Acordei desanimada, um pouco resfriada.
Dentro da casa os homens se dividem das mulheres. Enquanto um grupo assiste o jornal e comenta as notícias o outro senta na cozinha discutindo receitas e afazeres domésticos e eu, sinceramente, não sei onde me encaixo.
O que me animou foi assistir, pasmem, o canal do Boi e ver que o valor da saca de soja cambial subiu para R$ 24,90. Já perguntei ao meu primo o que influenciava essa subida no que ele me respondeu que muita coisa já que se tratava da Bolsa de Chicago.
A seca no Rio Grande do Sul nada teria a ver com isso.
A agricultura é um negócio muito bonito.
Lembrar do meu avô dizendo pra mim e só pra mim, enquanto caminhávamos na beira da lavoura que gostava muito de olhar as plantas crescendo e me explicando quando elas estavam mais bonitas é uma lembrança quase pueril e poética que eu guardo dele.
Mas basicamente é um negócio muito arriscado, em que dependemos mais da boa-vontade das intempéries do que da do agricultor.
São Gabriel fica longe, mas meus tios dizem que é pouco.Para os matogrossensses em geral, se algo fica a 100 km, é “logo ali”.O estado é muito grande e pouco povoado, as noções de distância são totalmente distorcidas.
De boa, já to com saudades do meu irmão e da minha casa, mas acho que só me sinto assim porque ainda não vi o dia raiar nessa fazenda linda.
Acordei desanimada, um pouco resfriada.
Dentro da casa os homens se dividem das mulheres. Enquanto um grupo assiste o jornal e comenta as notícias o outro senta na cozinha discutindo receitas e afazeres domésticos e eu, sinceramente, não sei onde me encaixo.
O que me animou foi assistir, pasmem, o canal do Boi e ver que o valor da saca de soja cambial subiu para R$ 24,90. Já perguntei ao meu primo o que influenciava essa subida no que ele me respondeu que muita coisa já que se tratava da Bolsa de Chicago.
A seca no Rio Grande do Sul nada teria a ver com isso.
A agricultura é um negócio muito bonito.
Lembrar do meu avô dizendo pra mim e só pra mim, enquanto caminhávamos na beira da lavoura que gostava muito de olhar as plantas crescendo e me explicando quando elas estavam mais bonitas é uma lembrança quase pueril e poética que eu guardo dele.
Mas basicamente é um negócio muito arriscado, em que dependemos mais da boa-vontade das intempéries do que da do agricultor.
Ressaca
Almoço de família no dia seguinte, uma diversão só, todo mundo me zoando porque caí na piscina de vestido,e o meu primo que passou mal por conta da tequila, que foi ao chão no fim da noite graças a uma mesa empenada.A garrafa tava cheinha ainda...
Parte da família se despede porque vai voltar à fazenda do meu tio e nós vamos junto. Seis horas de viagem de carro, incluindo aí uma parada pra jantar, que demorou a beça, em Tangará.
Lá, uma penca de corinthianos comemorava alguma vitória em algum jogo do qual não tomei a mínima ciência, no meio de alguns flamenguistas-gatos-pingados.
A viagem foi muito cansativa, com ressaca no talo e eu me desesperando porque perdia o sinal do celular toda hora.
Viciada total, já tava tremendo por ausência de conexão com a internet.
Pouco antes de chegar em Campo Novo do Parecis, aponta a sede da fazenda do meu tio.
Casa, afinal.Banho, cama.
Mas nada de internet e celular não pega.
Um dos sobrinhos teve que sair com o carro pra poder ligar pra namorada, à cata de sinal.
Foi a única vez que vi o cara puxar o celular, diferente de mim que dormi com o meu na minha mão...que vergonha.
Agora, sem sinal, conexão ou coisa que o valha é que consegui escrever como foram estes quatro dias de viagem.
Parte da família se despede porque vai voltar à fazenda do meu tio e nós vamos junto. Seis horas de viagem de carro, incluindo aí uma parada pra jantar, que demorou a beça, em Tangará.
Lá, uma penca de corinthianos comemorava alguma vitória em algum jogo do qual não tomei a mínima ciência, no meio de alguns flamenguistas-gatos-pingados.
A viagem foi muito cansativa, com ressaca no talo e eu me desesperando porque perdia o sinal do celular toda hora.
Viciada total, já tava tremendo por ausência de conexão com a internet.
Pouco antes de chegar em Campo Novo do Parecis, aponta a sede da fazenda do meu tio.
Casa, afinal.Banho, cama.
Mas nada de internet e celular não pega.
Um dos sobrinhos teve que sair com o carro pra poder ligar pra namorada, à cata de sinal.
Foi a única vez que vi o cara puxar o celular, diferente de mim que dormi com o meu na minha mão...que vergonha.
Agora, sem sinal, conexão ou coisa que o valha é que consegui escrever como foram estes quatro dias de viagem.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
O casório
O casamento foi na Igreja Mãe dos Homens, em frente a uma praça, no Centro.
Confesso que calculei na minha cabeça se ficar na feirinha de artesanato não seria mais divertido do que ouvir o padre falando durante uma hora, mas aí uma duplinha começou a cantar “Beijinho Doce” no meio da praça e eu achei que era melhor dar bom uso ao meu vestido.
A recepção foi deliciosa, dançando de tudo, até musica gaúcha com meus primos e com a noiva.Pelo menos dessa vez eu não paguei o mico de miacabar chorando no fim da festa, mas em compensação meu primo me atirou na piscina de vestido e tudo.
Fui dormir com o sol na cara, conversando com meu primo,a esposa dele e a esposa de um outro, batendo o queixo de hipotermia.
O ar-condicionado no quarto bombava, como em todo lugar em Cuiabá.
Nós chegamos aqui com 30 graus, o que pra eles é “inverno”.
Confesso que calculei na minha cabeça se ficar na feirinha de artesanato não seria mais divertido do que ouvir o padre falando durante uma hora, mas aí uma duplinha começou a cantar “Beijinho Doce” no meio da praça e eu achei que era melhor dar bom uso ao meu vestido.
A recepção foi deliciosa, dançando de tudo, até musica gaúcha com meus primos e com a noiva.Pelo menos dessa vez eu não paguei o mico de miacabar chorando no fim da festa, mas em compensação meu primo me atirou na piscina de vestido e tudo.
Fui dormir com o sol na cara, conversando com meu primo,a esposa dele e a esposa de um outro, batendo o queixo de hipotermia.
O ar-condicionado no quarto bombava, como em todo lugar em Cuiabá.
Nós chegamos aqui com 30 graus, o que pra eles é “inverno”.
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